Início das Paralimpíadas tem surpresas e decepções para o Brasil

Atualmente em 5° no quadro de medalhas, tivemos Daniel Dias e novos nomes no atletismo indo ao pódio

Publicado em 12/09/2016

Chegamos ao quinto dia de competições nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro e as medalhas continuam sendo distribuídas aos montes. No momento, o Brasil ocupa a quinta colocação no quadro de medalhas, com seis ouros, 14 pratas e sete bronzes, frutos de surpresas, decepções e a sensação de que esse número momentâneo de 27 poderia ser mais alto.

Antes de destacarmos os campeões e o que mais de melhor aconteceu nos últimos dias, é bom expor o aumento nas vendas de ingressos, tema que foi tão controverso devido à falta de apelo do evento na mídia. Em um período de uma semana, cerca de 500 mil ingressos foram vendidos e já são mais de dois milhões de lugares garantidos. Algumas promoções chamaram a atenção do público, como os R$ 10 necessários para ver o Goalball, o que resultou no maior público da história da modalidade.

Surpresas

Por enquanto com seis ouros, o Brasil recebe contribuição de atletas menos badalados para estar no Top 5 dos Jogos. Com poucos holofotes, Ricardo Costa foi o primeiro a ganhar uma prova entre os brasileiros, no salto em distância (categoria T11), e depois Petrúcio Ferreira voou e bateu recorde nos 100m rasos.

Outra que se deu bem sem muito alarde foi Shirlene Coelho no lançamento de dardo na categoria F37, levando o ouro para o Brasil. Também no lançamento, mas de disco, Claudiney Santos foi campeão da prova, somando mais uma medalha na conta brasileira.

Eles, sempre eles

Daniel Dias já conquistou quatro medalhas nesta edição, uma de ouro, duas de prata e mais um bronze. O nadador ainda disputa mais finais e as comparações com Michael Phelps são inevitáveis, já que o multi-campeão parece não ter o folego acabando. Enquanto isso, André Brasil e Clodoaldo Silva fecham a trinca brasileira que mais rendeu medalhas para o país.

Seguindo a tradição nacional, os esportes coletivos continuam nadando de braçadas, especialmente no goalball e no futebol de 5 e 7. Já no basquete com cadeira de rodas, as meninas foram derrotadas na última partida e têm pela frente as favoritas norte-americanas.

Decepções

Alan Fonteles, o homem que desbancou Oscar Pistorius nos 200m rasos, quer apenas esquecer a atual Paralimpíada. Ele não teve bons resultados em provas nas quais era o favorito, os 100m e 200m. Segundo preparadores e a comissão brasileira do atletismo, o corredor foi prejudicado pelo ano sabático que tirou em 2015 e por isso ganhou peso e perdeu potência.

Também fora do pódio, Terezinha Guilhermina decepcionou nos 100m, mas tenta a redenção na final dos 200m, onde já está classificada. A campeã paralímpica busca sua sétima medalha na história das competições.

Polêmica

Líderes absolutos no quadro de medalhas, os chineses vêm conseguindo resultados muito expressivos, especialmente na natação, deixando brasileiros com medalhas de prata, como as duas de Daniel Dias. Mas o que chama a atenção é o desempenho dos atletas asiáticos, já que muitos nunca haviam sequer disputado uma competição para deficientes físicos.

O caso do jovem de 21 anos, Linkang Zou é o mais assombroso. Desconhecido até o Rio, o garoto desbancou Daniel Dias nos 100m costas e bateu o antigo recorde mundial por incríveis 17 segundos. No revezamento 4x50 livre, o time chinês diminui o antigo recorde em 11 segundos, deixando o forte time brasileiro mais uma vez para trás.

O IPC (Comitê Paralímpico Internacional) já foi acionado e as investigações acerca da veracidade dos resultados começaram.

Foto: Divulgação/Cléber Mendes/Márcio Rodrigues/MPIX/CPB