"Boom" de mídia faz Unicorns virar empresa e criar liga gay

Time gay paulistano abre novas modalidades e vira influenciador

Publicado em 05/09/2017
"Boom" de mídia faz Unicorns virar empresa e criar liga gay

A novidade apareceu primeiro na Folha de S. Paulo: há um time de futebol formado só por gays que se reúne em São Paulo para praticar a modalidade sem as amarras da homofobia, tão presente nos campos pelo mundo todo. De lá, a pauta se espalhou por grandes jornais, portais de internet e até pela Rede Globo, que consolidou o "boom" de mídia que viria a definir o Unicorns Brazil. Hoje, eles são muito mais do que uma equipe LGBT. São marca, grife e business, capitalizando essa exposição e os valores democratizantes que defendem.

"Hoje em dia, virou empresa", afirma o publicitário Bruno Host, um dos fundadores do time, ao lado do advogado Filipe Marquezin. "E claro que com algumas particularidades, porque tem foco na socialização, na integração. A gente traz tudo para bem perto", complementa. Com a exposição maior, eles viram o time crescer e começaram a se deparar com um público que realmente não gosta de futebol, mas que busca um ambiente amigável para praticar esportes. Com a ajuda de Pedro Gariani, resolveram iniciar a expansão.

Surgiu, então, o Unicorns Running Crew, grupo de corrida que se reúne no Parque do Ibirapuera e que já conta com parceria com a Adidas. Há ainda uma classe de treinamento funcional, também baseada no parque mais famoso da capital paulista. Ambos cobram mensalidade. Além disso, o Unicorns tem uma loja virtual, na qual vende os uniformes das equipes e roupas casuais estampando a marca.

"Em São Paulo, onde vivemos, a gente tem tido o reconhecimento, as pessoas sabem. A gente fez alguns produtos, e eles tiveram uma saída muito grande", conta Bruno, ao comentar a fama conquistada há alguns meses - o Unicorns surgiu em 2015. "É o projeto. Estamos buscando isso. As pessoas se identificam por causa do lugar delas, do sentimento de pertencer a algo", constata.

"LiGay" Nacional

O Unicorns não é o único time gay do Brasil - nem mesmo o único de São Paulo. Pelo mundo, proliferam equipes esportivas voltadas à democratização, uma das principais bandeiras dos paulistanos. Um grande exemplo é o Stonewall FC, que há mais de 20 anos defende a diversidade sexual na Inglaterra. O fato de ser o mais conhecido é fruto da capacidade de aproveitar seu momentum e usá-lo para proliferar seus ideais.

Foi assim que os integrantes começaram a receber mensagens de pessoas de outras cidades e estados pedindo ajuda para formar equipes com a mesma filosofia. Em agosto, quatro delas se enfrentaram na Taça Hornet de Futebol de Diversidade (Hornet é um aplicativo de relacionamentos voltado para o público homossexual). Os BeesCats, do Rio de Janeiro, se sagraram campeões. Surgiu a ideia de criar uma liga: a LiGay Nacional de Futebol.

"Todos os times tinham a mesma ideia, que é a da socialização, de praticar esporte sem ter que brigar. Foi uma coisa de irmandade. Quando aconteceu isso, pensamos: imagina que legal se fosse um time de cada estado", conta Bruno. Os quatro times passaram a incentivar o surgimento de outros. O primeiro campeonato será disputado em novembro, no Rio de Janeiro, e terá oito equipes: Unicorns (SP), Futeboys (SP), BeesCats (RJ), Bharbixas (MG), Bravus (DF), CapiVara (PR), Magia (RS) e Sereyos (SC).

Crescimento dos esportes LGBT

O que antes era um grupo de amigos gays com vontade de jogar futebol sem correr o risco de discriminação já virou evento com pompas de "Brasileirão Gay". Bruno Host vê potencial para ainda mais crescimento, mas avisa que o Unicorns vai frear a expansão e trabalhar com calma. Além das três modalidades, devem fazer eventos pontuais com outros esportes durante o verão, aos finais de semana.

"Estamos dando uma segurada para estabilizar melhor ainda o que a gente está tendo", revela o publicitário, que recebeu sugestões como vôlei, rúgbi e queimada. "A gente está expandindo como negócio, mas sem esquecer da parte social", resume. É preciso saber administrar bem toda a importância que o grupo ganhou nos últimos meses. O foco é justamente o motivo de o Unicorns ter surgido, antes de tudo.

"Como filosofia, pensamos em democratizar o futebol. Como sempre dissemos que é um esporte para todos, levamos essa ideia para a corrida e para o funcional. Vemos pessoas sedentárias ou mais velhas que nunca tiveram vontade de fazer esporte, ou que não faziam porque se sentiam reprimidas, indo no Unicorns e descobrindo que têm um espaço para ser agregado, para curtir. Esse é o grande diferencial: pertencer a algo, independentemente da estética, do corpo, gênero, etnia. Você se exercita. É uma transformação muito legal", comemora.

Por Danilo Vital

Foto: Facebook/Reprodução